quinta-feira, 5 de abril de 2012

SEMANA SANTA EM DIREÇÃO À PÁSCOA...

A ESCATOLOGIA: As últimas coisas, uma Reflexão sobre o Fim vista pela fé e a pós-modernidade.

Por onde começar? Com o ‘catecismo’ que a todo mais se torna a bíblia da humanidade, o Jornal eletrônico, a Internet:

Para iniciar este estudo escolhi antes de tudo Palavras referentes ao nosso assunto e de outro lado Palavras de atualidades marcantes de hoje. Será que este nosso assunto tem muito procura?

Procurei de cada item, o total da paginas presentes, achando que ninguém põe no Internet o que não tem o interesse do público. Pesquisando de cada conceito o número de páginas presentes através do Programa GOOGLE: Microsoft Internet Explorer. Neste mundo perturbado de 2004 e por meio deste instrumento pós-moderno, fiquei muito surpreso.

O Tema: Palavras em torno da Escatologia:
Assuntos “quentes “ da atualidade:
Escatologia
7.400
Novelas
120.000
Ressurreição
54.200
Iraque
275.000
Fim do mundo
601.000
Afeganistão
83.600
Vida eterna
89.500
Bush
499.000
Reencarnação
28.200
ONU
202.000
Fé
786.000
Dólar
174.000
Totais: 1.566.300
:
Totais 1.353.600
Média: 261.050
Média 225.600



Esta pesquisa nos proporciona um simples olhar sobre os números de páginas para cada item. Logo percebe-se que a “proximidade” corresponde à quantidade de páginas referentes a cada conceito.

O que me chamou a atenção foi que as palavras da primeira coluna, que escolhi para indicar o Tema deste trabalho, são tão altos, muito mais do que esperava. Outra: surpresa foi que a Palavra “ressurreição” tem um número de páginas muito mais elevado do que a “reencarnação”.

Escatologia é um conceito teórico e difícil, mas assim mesmo ocupa 7.400 páginas.

Fé e Fim do Mundo sobressaem, mas isso era de esperar.

Vale a pena olhar e comentar estes números, tiradas do “catecismo da atualidade”, com pessoas, em número cada vez maior, que navegam nestas páginas.

Uma observação critica para o nosso lado: novamente, os evangélicos não católicos (protestantes) aproveitam muito melhor este jornal eletrônico do que os católicos. Como missionários, continuamos fracos enquanto eles usam os meios mais modernos, desde Lutéro depois de 1517.

VER: Este levantamento pode ser feito a partir dos símbolos presentes no dia a dia de nosso povo:

1. O que está sendo falado sobre o mistério da morte, assunto muito comentado mas tâo pouco aprofundado?
2. Quais são os dias que mais ‘mobilizam’ o nosso povo? ( Cat.: Dia das Mães e dos Finados.)

3. Quais são os símbolos mais marcantes no Dia das Mães e no Dia dos Finados? Qual é o significado de cada um deles? (Cat.: Velas: como luz, e Flores expressão de carinho e saudade.)



4. O que o grupo pensa sobre a morte e sobre a vida depois da morte?

5. Onde estão os nossos mortos, aqueles que viverem a sua fé? (Cat.: Anotar, com exatidão as respostas para poder voltar a elas mais tarde, após o estudo que estamos iniciando.)

6. A ressurreição de Jesus o trouxe de volta ao nosso mundo, à Galiléia ou à Palestina?

Cada um formou a sua idéia sobre a morte, mas nunca se ouve que é realizado um congresso ou dia de estudo sobre o tema da nossa morte (com exceção do mundo clínico e de umas casas que oferecem pensão a pessoas idosas mais abastadas).

Percebemos que o assunto nos interessa e ‘mexe’ profundamente com o nosso íntimo.

JULGAR:

A Morte sempre intrigou a humanidade. São encontrados túmulos e restos de funerais em praticamente todos os sítios arqueológicos do mundo indicando um profundo respeito pelas pessoas mortas e, quase sempre, a crença de uma viagem que deve ser feita, uma longa viagem; junto ao defunto se encontram potes de comida e armas. Nos sambaquis na proximidade da costa do sul do Brasil, naqueles em que foram encontrados túmulos, os corpos são postos sentados e o resto do buraco do túmulo foi preenchido com berbigão vivo. Isso se pode constatar pelo fato que essas conchas estão fechadas, não foram abertas, enquanto os sambaquis surgiram amontoando conchas já abertos, consumidas na hora e deixadas lá.

Há pouco tempo ( abril 2004) foi encontrado, perto de Cairo, um corredor subterrâneo, de 1000 anos antes de Cristo, com mais de 60 esquifes com múmias, a maioria hermeticamente fechados e muito bem conservados.

As pirâmides do Egito e dos povos dos Andes datam da mesma era e guardam, - Hoornaert - tanto aqui na América como lá na África os corpos dos ‘senhores’ daqueles tempos.

De Moisés está escrito que nunca mais encontraram o seu túmulo. (Dt 34,5-6);

De Elias que foi arrebatado para o céu num carro de fogo de cavalos de fogo (2 Reis,2, 11-12);

O Xeol, lugar triste dos mortos na religiosidade dos judeus durante quase todo o tempo do Antigo Testamento: Leiam: Nm 16,33 (veja rodapé Bíblia de Jerusalém 2002) Sl 6,6; Jó 7,9

Veja a nova perspectiva que começa a aparecer nalguns salmos (S16,10-11; 49,16; compare os versos. 15 e 16). Esta tendência surge nos últimos escritos do Antigo Testamento. (2 Mac. 7.):

1 Quando o mundo todo era visto como sagrado e tudo acontecia conforme o plano e o poder de Deus, quando tudo era explicado em linguagem de dependência direta de Deus, ou contra Deus, o que sempre levava aos castigos de Deus, naquele crer era diferente, era constatar o poder de Deus e a sua onipresença. [Essa diferente modo de interpretar e conhecer depende do(s) paradigma(s) da cultura daquele tempo e local.]

Crer na ressurreição dos mortos e no céu lá nas alturas era fácil, facilitado por essa cosmovisão colorido pela fé num universo, um mundo e o ser humano absolutamente sagrados. Hoje percebemos que “o mundo é dos espertos” e está em grande parte nas mãos de bandidos e descrentes que se tornam mais ricos e mais poderosos a cada dia que passa. E parece que Deus não está nem aí, ou largou o problema em nossas mãos: “Lhes dei inteligência e forças para vocês resolver esses problemas. É só ter uma fé suficientemente forte”.

2 Para muita gente, nesta época da história, está ficando muito difícil dizer onde Deus está. Não é por nada que muitos, diante deste mundo pós-moderno, buscam seu refúgio num fundamentalismo onde já não preciso pensar é só crer o que está escrito e os problemas parecem estar resolvidos.

3 De outro lado, para resolver as questões, há pessoas que querem ser modernas e de boca pra fora se igualam aos animais: “vou morrer, aí acaba tudo e ponto final, do mesmo jeito com a vida e morte de meu cachorro de estimação. Faz um enterro solene para o meu cão e espera que que nós façamos isto para ele, depois da sua morte.

Outras pessoas dizem que pode ser que exista alguma forma de vida depois da morte. É muito difícil acreditar, mas se houver Vida quando morrerem, será lucro. Querem assim expressar que não acreditam:

1. Por quê crer na ressurreição e na vida eterna tornou-se tão difícil para a humanidade de hoje? O mundo, a sociedade e a cultura deixarem de ser sagrados. O mundo hoje é todo calculável. O homem moderno, e mais ainda o pós-moderno, querem mostrar como surgiu a vida na terra, querem mostrar que provavelmente veio de marte, etc. Querem comer das árvore da meio do Jardim de Éden (Gên. 2,9 e 17 e 3,22) O impulso das pesquisas caríssimas das ciências de hoje, provém da busca de compreender a realidade do universo e da existência, ou é equivalente aos pecados dos primeiros capítulos do Gênesis (Torre de Babel, e outros.)? Naquele tempo, era considerado soberbo e vontade de ser igual a Deus, hoje é espírito de pesquisador.

2. Este contexto ‘moderno’ do homem ‘adolescente’ em suas descobertas ou revoltado reagindo contra uma religião que lhe era imposta e o oprimia, não ajuda a crer ou a compreender a presença de Deus em nossa vida. A humanidade ainda não absorveu as suas descobertas científicas; gaba-se de estar perscrutando os mistérios mais profundos da Vida e da origem do Universo, mas ainda não conhece o seu lugar neste mundo ‘secular’.

3. Este mundo ‘secular’ existe na ciência, nas pesquisas da física, da biologia, na tecnologia e nas grandes descobertas da matemática. Neste ambiente, Deus jamais é um ‘deus ex maquina’, uma parte da tese ou uma causalidade dentro do assunto em pauta. É muito importante saber distinguir entre a minha ação de pesquisador e a minha fé-consciência de que tudo isto é obra de Deus, Criador de todas as coisas. O homem moderno tem muita dificuldade de entender o ‘lugar’ de Deus neste mundo secularizado pela prática da ciência que enquanto ciência está certa; freqüentemente, porém, o pesquisador cientifico chega a tirar conclusões que não tem nada a ver com as suas pesquisas. Ficou famosa a frase de Gagarin, durante as primeiras voltas do homem em torno do planeta Terra, quando disse que estava voando pelo céu, mas que não encontrava a Deus em nenhuma parte.

4. [Penso que estamos ainda hoje por demais presos ao texto verbal do Gênesis. Já aprendemos a distinguir entre a linguagem da ciência e a Teoria da Evolução e de outro lado a bela crônica religiosa da Criação, da Bíblia. A mensagem é que Deus é o Criador de tudo isso, que o universo ..., as plantas e os animais ...., que o ser humano é criado á imagem e semelhança do próprio Deus, que Deus depois descansou, para justificar a observância do Sábado dos judeus ....! Eu, porém, tendo a pensar que Deus é o Criador permanente, não só no começo, mas que tudo existe porque está na mão de Deus Criador que a mantém, ‘ontem, hoje e sempre’, na sua eternidade a-temporal.].

5. Para iluminar a nossa busca da mais profunda realidade de nossa Vida, quero usar os escritos do João: Evangelho, Cartas e Apocalipse. É uma opção, mas é conhecido que João trata a Vida dos que crêem como participação, desde já, da Glória.

Além disso, é importante que João faz questão de iniciar o seu Evangelho retomando o Início da Bíblia Sagrada e a Criação. Jesus retoma a obra de seu Pai e a resgata em sua Vida, tirando assim os pecados do mundo. O cordeiro pascal dos judeus os fez comemorara a libertação da escravidão do Egito e a presença de Javé na medida de sua obediência às Leis de Moisés.

O Cordeiro de Deus, da Nova Aliança, pela sua obediência á vontade de seu Pai, liberta a humanidade do pecado e lhe abre o Caminho da Verdade e da Vida..

Eis o Cordeiro de Deus que tiro o pecado do mundo Jo 1,29

Com Nicodemos Jo 3,14-17

Com a Samaritana Jo 4,13-14 e os 5 homens mais um não-marido: Jesus é o sétimo homem, aquele que traz e dá a água da fonte, a vida que jorra para a vida eterna.

Jo 5,24-29: Quem ouve a Palavra e crê naquele que me enviou ...

Jo 6,46-58 O Pão vivo descido do céu

Lázaro: Jo 11,25-26; 40: CRERAM NELE. A palavra chave do Evangelho de João;

Jo 11,6: permaneceu ainda dois dias no lugar em que se encontrava;

Jo 11,17 e 39: era “o quarto dia”

Duas “leituras” eu analiso a partir dos números.

Este estilo literário pertence ao Evangelho de São João.

O Evangelho de São João traz o “jogo dos números” e há poucos exegetas que se atrevem mexer com esses dados.

Primeiramente, o chamo um “jogo” mas um jogo muito inteligente; não acrescenta novas coisas mas ao mesmo tempo aprofunda ou direciona. Vamos lá:

João 4. A Samaritana, mulher de 5 homens, o homem que está com ela agora não é o seu marido, mas para os entendidos desta linguagem é o seu sexto homem.

Jesus, então, será o sétimo homem em sua vida e Ele lhe dará água que jorra para a vida eterna.

Mais uma vez, Jesus é a porta ( João10). É por Ele que temos acesso à plenitude da vida.

A história de Lázaro: João 11.

Jesus espera mais dois dias onde ele está; só no terceiro dia via a Betânia.

Por duas vezes, fala-se que “já é o quarto dia que ele morreu” “ [Sei que isso significa que ele pode ser considerado como morto, com certeza, o que é importante para os que querem desconversar do assunto porque ‘ele ainda não estava morto, dormia.]”

O túmulo é semelhante ao de Jesus: será preciso retirar a pedra. Jesus manda retirá-la. Na ressurreição de Jesus, o Pai já tinha cuidado disso.

Vamos que vamos: os números:

O problema é que muitos não crêem na ressurreição, querem ver para crer. João enfrenta isso pelos anos 95 da era cristã. Na terceira geração após a morte e ressurreição, como a comunidade enfrenta isso? A comunidade mostra que Jesus nos ressuscita pela sua Vida, morte e ressurreição e como o Cordeiro que está ao lado do trono, em outros textos e outras ocasiões.

Jesus fica mais dois dias onde Ele está; só no terceiro dia, Ele vai a Betânia ...

Já é o quarto dia, o dia depois que Jesus ressuscitou ao terceiro dia; ‘the day after!’

Deus ressuscitou a Jesus (cuidou da retirada da pedra do túmulo) ...

Jesus pede que retirem a pedra e chama Lázaro à vida.

Depois do terceiro dia, da ressurreição; a partir do quarto dia, é Jesus, o Filho, que nos ressuscita.

Jesus glorifica o Pai, testemunhando que Deus é Amor, sempre e por toda parte. Viver e morrer por essa causa é a sua glória. Jo 12,20-36,

E: O príncipe deste mundo será lançado abaixo.

Jo 13, Lava-pés6-8

Jo 14,1; 6;

A videira Jo 15,inteiro; 12; 13; 17;

Jo 17, esp 17,24

O processo, 18,36;

Cap 20, inteiro: 22-23; Tomé: crer para ver; 29

Cap 21, inteiro

Voltando agora a Tomé que queria "ver para crer" . É óbvio que muita gente pensava como ele e ainda pensa assim.

Fé é viver de olhos abertos para a vida cotidiana; é perceber que esta Vida vale a pena quando é vivida com Deus presente, Deus no meio de seu povo e orientando a nossa caminhada e a missão de cada um. Quem crê de verdade e vive a sua fé, reza muito, à sós e com a comunidade, para saber o que Deus espera dele e de nós todos. Quem crê e toma tempo para rezar, percebe a destruição que o egoísmo e o orgulho provocam na vida pessoal e na humanidade.

Quem crê, toma tempo para rezar e percebe a destruição provocada pelo pecado, percebe que a vida que Deus nos deu, é diferente daquela que estamos vivendo.

Aí se percebe que a comunidade dos discípulos de Jesus, depois de crer na ressurreição de Jesus, passou por uma grande mudança de vida; o amor, a fraternidade, a comunidade, especialmente os pobres e doentes tinham se tornado importantes, eram os mais queridos de Jesus. Esses discípulos tinham começado a viver a Vida da criação, de acordo com a vontade do Criador.

Aí, começaram a entender o erro de Tomé: a gente deve " crer para ver". A vida deve mudar.... e aí a gente percebe que a vida, que temos aqui e agora, é vida que Deus nos deu para ser vivida junto a Ele, no seu amor, por toda a eternidade.

Crer para ver que não existe uma vida paralela, uma vida de fé ao lado da vida cotidiana. Devemos ser santos, como Jesus era Santo e Filho de Deus, no cotidiano. Isso vai exigir, de fato, uma imensa mudança. Por isso, lhes desejamos uma vida pascal, uma vida toda pascal. Assim seja!

FELIZ PÁSCOA, deseja a todas as comunidades,

Padre João Trinta– Vigário – Abril/2004

terça-feira, 3 de abril de 2012

SEMANA SANTA - DOMINGO DE RAMOS


A todos desejamos uma Boa noite. Sejam benvindos e benvindas, aos turistas e amigos de Cananéia, o nosso carinho.

Irmãos e irmãs hoje nos reunimos para iniciar com toda a Igreja, a celebração da Páscoa de nosso Senhor. O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, dias em que meditamos a dolorosa paixão e morte de Jesus. Para realizar o mistério de sua morte e ressurreição, Cristo entrou em Jerusalém, sua cidade. Vamos ao seu encontro com ramos nas mãos, cantando e louvando em favor da vida, da solidariedade e da paz, de mais emprego, de uma educação digna, etc...Celebrando com fé e piedade a memória desta entrada, sigamos os passos de nosso Salvador para que, associados pela graça à sua cruz, participemos também de sua ressurreição e de sua vida.




Pe. João Trinta - 20 de março de 2005.

sábado, 17 de março de 2012

Quarto ano da ressurreição de Padre João 30


Jan Van Der Heijden (PE..JOÃO 30)
07-07-1942
17-03-2008
Sempre buscando...
A Fé na Vida e a vida na Fé
PAZ ao mundo

..COMO UM VENTO SUAS PALAVRAS SOPRARAM FORTE,
MUITAS VEZES FOI COMO UMA TEMPESTADE
PORQUE ERA NECESSÁRIO AGUÇAR OS SENTIMENTOS DE JUSTIÇA,
ORGANIZAR SEU POVO, FAZE-LO LUTAR EM FAVOR DA VIDA!

COMO UM VENTO, SOPROU SUAVE A FIM DE PERMITIR QUE SEU POVO
REAGISSE DO SEU PRÓRIO JEITO: C A I Ç A R A.....

SUAS PALAVRAS, SEUS PASSOS LARGOS E FORTES,
SUA PRESENÇA CONDUZIAM SEUS AMADOS
PARA O CONHECIMENTO, PARA O SEGUIMENTO
E O TESTEMUNHO DO PROJETO DE JESUS CRISTO !

SEU AGIR...MARCOU PROFUNDAMENTE NOSSAS ALMAS,
TRANSFORMOU O CORPO DA IGREJA,
IRRITOU, DENUNCIOU, ANUNCIOU, PROVOCOU ....
E SUA MORTE É UM SINAL...

SINAL DE LIBERTAÇÃO QUE MEXE NOS CONFLITOS,
SINAL DE UMA SANTA REBELDIA,
QUE SE EDIFICA NA PEQUENA COMUNIDADE DE AMOR CAIÇARA

COMUNIDADE DE FÉ NA VIDA E VIDA NA FÉ
PEQUENINA MAS DE CORAÇÃO ENORME

QUE DE MÃOS DADAS SE FORTALECE
NA PRESENÇA DE JAVÉ – O DEUS DO UNIVERSO!

terça-feira, 6 de março de 2012

A DEVOCÃO POPULAR A NOSSA SENHORA COMO PORTO DE ACESSO.

A Devoção popular a Maria – Nossa Senhora – está quase sempre ligada a uma imagem conhecida; Aqui no Brasil, pelo menos no Sul/Sudeste, a imagem mais “conhecida, venerada” que goza a confiança e a fé do povo é Nossa Senhora Aparecida, Padroeira nacional do Brasil.


Sem esta fé ligada à imagem, o processo de identificação não se desenvolve.

1. A Fé e alguma necessidade ou urgência levam a pessoa a rezar, a contar a Nossa Senhora de que precisa de ajuda, da cura de alguma doença, da solução para o casamento ou para o filho que é viciado e tantas outras aflições que o povo sofre e não encontra outra solução. A pessoa recorre a Maria e conversa frente à sua imagem e deixa uma vela acesa

2. A oração surte esperança e coragem para continuar a caminhada, a luta. Mesmo que não encontra a solução que quer, não está mais sozinha, pois deixou o problema na mão de Nossa Senhora. Isso da coragem e esperança.

3. Facilmente, o devoto começa a pensar nos seus erros ou pecados; pode até sentir certa culpa pelo que está afligindo. O sentimento de culpa e de não ser digno facilmente surgem diante da Santa à qual está pedindo tanto.

4. Se foi uma pessoa com uma fé quase individual, pela tradição antiga que só se manifestava ou pela privatização do religioso neste tempo moderno, sem perceber, encontra mais gente rezando e expressando a fé e a prece. A pessoa encontra a comunidade e depende muito desta ou que ele vai fazer.

5. Sem perceber, vai se encontrando com Jesus, o Filho de Maria, a Nossa Senhora de sua confiança. Se isso vai levar a um aprofundamento, depende em boa parte da comunidade/ igreja onde ele encontra a imagem de sua devoção.

6. Se ele se interessa em conhecer melhor a Jesus, o Filho de Maria, o Filho de Deus, se alguém o ajuda a conhecer Jesus, a reação vai levá-lo a querer viver alguns aspectos da vida de Jesus que mais lhe chamaram a atenção. Ele vai procurar praticar um pouco como Jesus vivia, nem que seja somente para agradar à sua santa. Muito disso passa sem que ele reflita sobre isso, chega a acontecer mais pelo sub-consciente.

7. Assim como a busca de perdão (3.), nesta altura o nosso devoto começar a crescer em fidelidade, querer ser levado a sério a partir da experiência que está vivendo; ele se torna mais perseverante, mesmo dentro do sofrimento. Seu sentimento muda, ele busca ser alguém que merece aquilo que está pedindo a Nossa Senhora.

8. Nesta altura, ele começa a viver com mais ternura, cultiva um sentimento de bondade e mais atenção; sua devoção à Maria o leva a perceber a ternura e o carinho que Maria representa. A devoção a Maria e a fé popular nesta santa, “ dês-cobre” a ternura de Deus. Sem Maria, o seu carinho, sua ternura e compreensão com as pessoas, a Igreja seria muito fria e objetiva, somente. Maria, as religiosas e muitas mulheres que se dedicam à comunidade e à religião salvam a Igreja da frieza e da objetividade do clero unicamente masculino.

9. Maria morreu e ressuscitou, foi direto para ajunto de Deus e mesmo estando distante ainda, torna-se cada vez mais clara a esperança e a vontade de morrer assim que também possa ir para o céu. Viver bem, para morrer em paz com Deus e poder ressuscitar, assim como Maria e muitos santos(as), torna-se uma esperança e uma vontade que motiva a tomar atitudes.

10. Neste momento, nasce uma grande disponibilidade de se comprometer mais com Deus e com a Igreja. Toda esta caminhada aqui traçada requer um ambiente sadio e acolhedor. A pessoa entrou em contato com o sagrado com o sagrado e o ambiente religioso. Se nesta aventura encontrou uma comunidade que o acolhia mais ao mesmo tempo o deixava fazer a sua experiência sem forçar o processo, surge esta disponibilidade e a curiosidade, um momento favorável à uma catequese. Estes momentos não podem ser forçados, nem com a maior boa vontade. O clima deve ser de ternura e acolhida; é por este caminho que nosso amigo chegou mais perto de uma fé maior e da Igreja. Por isso, uma Igreja rígida, de regras e deveres, só espanta. A vida em comunidade pode descobrir, através da caminhada que o nosso amigo fez, como deve ser o clima dela e a atuação. A Igreja precisa da ternura de Maria e de Jesus precisa de muitas mulheres Marias para mudar o modo de ser da Igreja do clero e do papa; não podemos forçá-las a serem todas Martas em nossas casas.


Cananéia, 07 de maio de 2003- Pe. João Trinta

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PROFETAS NO MEIO DO POVO...

Refletindo sobre a Presença Profética no meio do Povo!

Elisete: A presença de JESUS na sua cidade de Nazaré e o como ele assumiu a sua Missão quando disse que o tempo da Graça do Senhor com ele se tinha iniciado.
O Profeta Jeremias é o profeta que mais sofreu por causa da Palavra de Deus que ele anunciava. De outro lado, sua atuação no meio do povo, de antes do exílio tornou-se fundamental para a recuperação da fé e da coragem do povo judeu do exílio.

JESUS não foi aceito na sua pátria. Eis aí o mistério da falta da fé nas pessoas da própria terra. Ele era o filho do carpinteiro...; Como podia ser o Messias? Esta narração triste da rejeição de Jesus pela sua própria gente, mais tarde, fazia parte da vida das comunidades. Ela aparece nos Evangelhos de Mateus, Marcos e aqui em Lucas. Seguir a JESUS é uma opção de fé!

REFLEXÃO DIALOGADA:

Elisete: Padre João, porque Jesus foi rejeitado pelo seu povo? O povo não esperava ansiosamente o Messias, o Salvador prometido?

Pe. João: De fato, o povo judeu esperava o Salvador, do jeito como eles se imaginavam que esse Messias devia ser: Um Messias com poder, que iria restaurar o Reino do Rei Davi, trazer poder e riqueza.

Elisete: Mas, será que Deus é contra a riqueza e o poder dos povos e não quer aquela prosperidade de que muitas religiões tanto falam na TV?

Pe. João: Deus quer o bem-estar de seu povo, mas não a riqueza e o poder. Ele quer a vida sadia das pessoas. É na fraternidade que se constrói a vida e a dignidade, não na cobiça, na ganância e na desigualdade que a riqueza e o poder provocam.

Elisete: Explique isso mais um pouco, Padre João ...

 Pe. João: O Reino de Deus – na doutrina da Igreja católica, não é para depois da morte, como muitos sugerem. Jesus tratava com Palavras e Ações a vida e o bem-estar do seu povo. Libertava a todos pela fé, isto é, pela nova maneira de viver que ele testemunhava com a sua própria vida. Para Deus vale a dignidade de vida para todos.
Pela busca da riqueza, aumenta sempre mais a distância entre os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.
Outra coisa: Jesus nunca falou do corpo e da alma: Ele encontra as pessoas e se interessa por elas, pela sua vida e saúde e igualmente pela sua comunhão com Deus. Isso, para Jesus, é uma só preocupação.

Elisete: Mas, por que a maioria do povo judeu rejeitou Jesus como o Salvador?

Pe. João: É duro para dizê-lo, mas, Jesus foi rejeitado, em primeiro lugar, pelos líderes do povo, pelos sacerdotes, pelos saduceus e pelos fariseus. Para eles, uma vida de igualdade, fraternidade e partilha, isso não lhes interessava. O gosto do poder sobre o povo tinha cegado toda essa gente que deveria ter sido o primeiro grupo para acolher o Salvador e agradecer a Deus pela sua vinda. Jesus vai dizer, muito triste: “É mais fácil um camelo passar pelo olho de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” .

Elisete: Qual é o papel do Profeta? Lendo a narração do Chamado do profeta Jeremias? Jeremias foi profeta num momento muito peculiar de seu povo. Qual é o papel do profeta de Deus hoje?

Pe. João: Hoje, os maiores pecados do mundo são os mesmos do tempo de Jesus: a busca da riqueza, da grandeza, do poder e do prazer egoísta. Pouca gente, mesmo dos católicos, quando estão fora da igreja, no mundo do trabalho e com colegas de outras ou de nenhuma religião - pouca gente, mesmo dos católicos, luta pela dignidade de cada pessoa, qualquer um que seja. A desigualdade aumenta, a corrupção não leva para a cadeia, ou só “de regime especial” com todas as mordomias. Os hospitais da Saúde pública são paupérrimas e estão sem recursos; as escolas públicas não ensinam mais e escondem o jogo do desprezo pelas crianças pobres, passando todas para frente sem repetição e sem a chance de adquirir uma nova base para construir um futuro mais seguro.

Elisete: O Profeta não é um porta-voz de Deus? O Senhor quer que ele seja um porta-voz dos pobres? Onde está a verdade?

Pe. João: Sem as pessoas assumirem a Fé em Jesus e os seus ensinamentos, não haverá um Novo Céu e uma Nova Terra. Deus sofre hoje no sofrimento dos empobrecidos, no abandono do continente africano, no desespero dos aidéticos e das crianças abandonadas. São Paulo fala do Amor, da caridade. A Caridade é o amor que Deus tem pelo seu povo. Jesus morreu por caridade, pelo amor e pela nossa salvação.

Elisete: O Senhor me confundiu: Paulo fala da caridade entre nós, e o Senhor está dizendo que a caridade é a atitude de Deus por nós?

Pe. João: A caridade é a atitude de Deus por nós. Ele nos quer bem e quer que realizemos essa felicidade no Povo de Deus. Deus fez tudo para isso e continua fazendo tudo sem quebrar a liberdade humana. Nós, se entendemos a Palavra de Deus, devemos amar como Jesus amava, dando tudo de nós para construir a felicidade do povo de Deus para todos e não para uns grupos de privilegiados.

Elisete: Então, nossa vida em comunidade e as nossas pastorais são formas de viver a caridade de Deus?

Pe. João: Sem dúvida, mas devemos buscar melhorar isso, sempre mais!
QUEREMOS CRESCER NO APERFEIÇOAMENTO DO AMOR DE DEUS EM NOSSAS VIDAS. ASSIM SEJA!
28 de Janeiro de 2001 – Padre João Trinta.
 



 

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